sábado, 14 de dezembro de 2013

[Resenha] Dezoito Luas - Kami Garcia

Li Dezoito Luas (Margareth Stohl e
Kami Garcia, Ed. Record ) em 2 dias
(e uma noite em claro). Mal
conseguia respirar. Ethan tinha
recuperado Lena, ela havia se
invocado, era da Luz e das Trevas
e isso havia rompido a ordem das
coisas. Macon estava vivo. E eu,
estava apaixonada por essas
Beautiful Creatures, por suas vidas
mágicas, por suas histórias.
Não sei se devido à maturidade da
história, ou das autoras, mas, para
mim, este foi o melhor livro. Não
sei se eu sou vidente como Amma,
mas de certa forma, pressentia o
que me aguardava... mas isso só
me fazia ansiar, querer ver,
presenciar. Estar lá, ao lado de
Ethan, Lena, Liv, Link, Ridley e até
mesmo de John... cada uma das
descobertas, cada sentimento, me
deixava com sabor de quero mais.
Os personagens cresceram ainda
mais, e cada página mostrava que
tudo tem dois lados. Ninguém é
simplesmente bom, ou
simplesmente ruim. Luz e trevas se
misturam, e fatos inesperados
surgem, ações vindas de quem
menos se espera...
Depois que Lena se invocou nada
mais é o mesmo. A Ordem das
Coisas havia se alterado e a cidade
de Gatlin também. Nunca antes o
mundo conjurador e o mundo
mortal sofrera tão severas
consequências. A cidade está se
tornando árida, rios se
transformam em sangue, uma
praga de gafanhotos está
devorando a cidade, terremotos...
e morte. O odor da morte se
espalha por Gatlin, misturado ao
fedor da culpa, arrastando os que
ficam. Link está aprendendo a ser
um inccubus, Liv mal pode chegar
perto de Ethan por causa dos
ciúmes de Lena, Marian está sendo
julgada por ter permitido que Liv
interfirisse na Ordem das Coisas,
Macon agora é um conjurador da
Luz e Ethan é O Obstinado.
Poderes vieram e se foram. A
loucura ronda a todos, o cansaço, a
determinação. O Caos está
instalado, e Ethan e Lena precisam
descobrir como resolver isso antes
que seja tarde demais...
Como se não bastasse, Ethan está
esquecendo as coisas. Ele está
diferente, por mais que queira
negar. Sonhos terriveis, nos quais
ele perde Lena e a si mesmo não o
deixam dormir. Está cada vez pior,
e ele não sabe até quando
conseguirá fugir de seu destino...
Como já disse, este, pra mim, foi o
melhor dos três livros. Não que os
demais não sejam bons, mas que
se encaminham para o clímax
nesse livro. Admito que chorei, me
emocionei. Espero que não seja
uma despedida da série...
“Saber que você não tem muito
tempo muda tudo. Você fica meio
filosófico. E descobre coisas, ou
melhor, elas se descobrem
sozinhas, e tudo fica muito claro.
Seu primeiro beijo não é tão
importante quanto o último.
A prova de matemática não tinha
importância alguma.
A torta, sim.
As coisas em que você é bom e as
coisas em que você é ruim são
apenas partes diferentes da
mesma coisa.
O mesmo serve para as pessoas
que você ama e as pessoas que não
ama, e para as pessoas que amam
você e as que não amam.
A única coisa que importava era
que você gostava de algumas
pessoas.
A vida é muito, muito curta.”
Valeu a pena ler a série inteira.
Porque não importa muito como o
mundo termina. Mas se valeu a
pena ter vivido nele.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

[Livros] #DicaDeLeitura - Eu me chamo Antonio

Ainda não tive oportunidade de lê-lo. Gostaria muito de ganhá-lo nesse natal,mas estou achando um pouco dificil! rs
Mas,voltando ao assunto,lendo a sinopse do livro fiquei fascinada pelo assunto do livro! Bem criativo,uma historia inspiradora! Se tiverem oportunidade nao deixem de adquiri-lo!
Sinopse:
Antônio é o personagem de um
romance que está sendo escrito e
vivido. Frequentador assíduo de
bares, ele despeja comentários sobre
a vida — suas alegrias e tristezas —
em desenhos e frases escritas em
guardanapos, com grandes doses de
irreverência e pitadas de poesia.
Antônio é perito nas artes do amor,
está sempre atento aos detalhes dos
encontros e desencontros do
coração. Quando está apaixonado, se
sente nas nuvens e nada parece ter
maior importância, e, quando as
coisas não saem como esperado, é
capaz de enxergar nas decepções um
aprendizado para seguir adiante. Do
balcão do bar, onde Antônio se
apoia para escrever e desenhar, ele
vê tudo acontecer, observa os
passantes, aceita conversas
despretensiosas por aí e atrai
olhares de curiosos. Caso falte
alguém especial a seu lado (situação
bastante comum), Antônio sempre se
acomoda na companhia dos muitos
chopes pela madrugada. A mente
por trás de Antônio é Pedro Gabriel.
Em outubro de 2012, ele inaugurou
a página Eu me chamo Antônio no
Facebook para compartilhar o que
rabiscava com caneta hidrográfica
em guardanapos nas noites em que
batia ponto no Café Lamas, um dos
mais tradicionais bares do Rio de
Janeiro. Em seu primeiro livro, Pedro
apresenta histórias vividas por seu
alter ego, desde a cuidadosa
aproximação da pessoa desejada, o
encantamento e a paixão, até o
sofrimento provocado pela ausência
e a dor da perda. Os guardanapos
que inspiram milhares de pessoas
na internet.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

[Eu Cinza] Mais do Capitulo 5

Depois de se passarem tres horas um medico sai da sala de cirurgias e vem ao encontro dos pais de Gabriel. Nos levantamos e encaramos com ansiedade o doutor falar.
- A cirurgia ocorreu bem. Seu filho nao corre risco de vida. Porem temos que esperar que ele acorde para realizarmos exames e alguns testes para saber se ele pode ficar com alguma sequela. - os pais de Gabriel se abraçam e a mae chora e sorri ao mesmo tempo. Fico tao feliz em saber da noticia que minhas lagrimas sao de pura felicidade. Ele esta bem e logo estara conosco e quem sabe sem sequelas! Há esperanças!
- Venha cá,filha! - a mae dele me chama para participar do abraço em familia. Vou e os abraço. A mae dele me da um beijo na testa e nos abraça novamente. Ela nos solta e se vira para o medico.
- Doutor,quando poderemos vê-lo? - ela diz nao contendo a ansiedade.
- Amanha poderam vê-lo. Agora ele sera levado para a ala de recuperaçao. Esta sedado e dorme no momento. Aconselho voces a irem para casa descansar tambem! Boa noite! - ele fala e se vai.
Me despesso dos pais de Gabriel em mais uma rodada de beijos e abraços. Olho meu celular e ja sao 23:00 hrs. Minha mae deve estar preocupada.
Quando chego em casa faço um relatorio inteiro das ultimas horas para mamae. Ela ficou bastante contente de saber que ele esta bem. Ela o conhece desde quando eramos pequenos e estudavamos juntos na mesma escola. Ele sempre frequentou a minha casa e eu a dele. Ele é meio como um sobrinho para ela.
Estou tao cansada que nao sinto fome. Tomo uma boa chuveirada de agua quente e vou me deitar. Recapitulo as palavras do medico: " Porem teremos que fazer testes para saber se ele ficará com sequelas." Eu nao deixo essa ideia se fixar na minha mente. Ele é forte. Ficará tudo bem,e mesmo que o pior aconteça estarei do lado dele. Ele é muito importante para mim.
Durmo um sono recheado de sonhos com corridas,flores e bosque,e alguem.
Levanto da cama e ja me arrumo para voltar ao hospital. Estou contando os segundos para revê-lo. Resolvo ir com uma roupa mais alegre hoje. Uma blusa de manga laranja com renda,um short preto e um colar com o simbolo do infinito. O colar que ele me deu a alguns meses atras representando a nossa amizade. Agora creio que representa o nosso amor.
Quando chego no hospital os pais dele estao sentados em um banco em frente a ala de recuperacao.
- Bom dia! - eles sorriem para mim parecendo um pouco menos apaticos do que ontem.
- Bom dia! - eles falam em unissono. - Estamos esperando o medico permitir a nossa entrada. -  dona Julia diz.
- Vou esperar aqui com voces. Alguma noticia?
- Ainda nenhuma. - ela diz,seguida de um suspiro.
Se passa meia hora e o mesmo medico que falou conosco ontem aparece.
- Venham comigo,por favor!
Seguimos ele ate a porta da sala. Entramos e me deparo com varios pacientes em camas,mais ou menos os vinte leitos todos ocupados. No final do corredor de camas a direita,vejo Gabriel. Ele tem um de seus braços engessado e uma das pernas tambem. Esta dormindo o que parece ser um sono suave. Seus pais vao ate ele e os sigo. O medico é o primeiro a romper o silencio.
- Ele esta dormindo desde ontem por causa dos sedativos. Mas esperamos que ele acorde a qualquer momento. - ele olha seu relogio antes de continuar. - Terei que deixa-los. Mais pacientes para ver! - ele diz e sai em seguida.
A mae de Gabriel ja chora novamente abraçando o marido. Eles se afastam um pouco da cama para que eu chegue mais perto. Sento em uma cadeira ao lado dele e passo minha mao suavemente em seus cabelos. Depois acaricio sua bochecha e ele estremece. Olho para os pais dele que pareceram notar o seu movimento tambem. Entao,eu falo:
- Gabriel? - ele nao abre os olhos,mas meche uma das maos como se querendo me encontrar.
- Lau-ra? - ele fala com certa dificuldade enquanto abre os olhos e pego sua mao.
- Sim! Estou bem aqui. - sinti meus olhos marejarem,mas me controlo. - Se sente bem?
- Eu...- ele fala - me sinto cansado e dolorido. - seus olhos encontram os meus e nao se desviam dele. Ele aperta minha mao de leve como se estivesse testando sua propria força.
- Mãe? - ele chama por ela e em um piscar de olhos eles se abraçam. Ele meio que resmunga um pouco. O abraço foi um pouco forte demais.
- Quando vou poder sair daqui? - ele pergunta olhando para dona Julia.
- Nao sabemos ainda. Eles vao ter que fazer testes e exames com voce. - ela vê o espanto no rosto dele e se apressa dizendo. - Mas esta tudo bem. Testes de rotina. - ela sorri para ele tentando tranquiliza-lo.
O pai de Gabriel chega perto da cama e toca na perna que nao esta engessada de seu filho. Gabriel olha para a mao de seu pai,e seu rosto se contorce em uma expressao de dor,mas nao dor fisica. Vejo-o chorar pela primeira vez na vida.
- Paiiii! - ele grita. E eu ja sei o que ele vai falar - Nao senti o senhor tocar a minha perna!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[Eu Cinza] Continuação do Capitulo 5

Resolvo que o melhor agora é ir para casa. Devo contar a mamae o que aconteceu com ele. Ela ira ficar sabendo de qualquer maneira,melhor que seja por mim. E depois eu vou ao bosque para pensar um pouco. Apesar de achar que sera um pouco doloroso ir ate la ja que foi onde passei meus ultimos momentos com ele antes do acidente.
Quando chego em casa procuro por mamae. Ela esta no quintal varrendo as folhas que se acumulam debaixo do pé de manga.
- Mãeeee! - a chamo da porta da cozinha e ela se vira meio espantada. Nao esperava que alguem falasse com ela. Ainda menos eu.
- Venha ate aqui! - ela me chama. Quando ouço sua voz vejo que estava com saudade dela. A tantos dias nao a ouvia.
- Mae,aconteceu uma coisa com Gabriel... - eu falo olhando para a pilha de folhas que ela juntou. Ela me olha fixamente sem esboçar nenhum tipo de emoçao. - Ele sofreu um acidente. - agora eu a encaro e posso ver passar um pouco de tristeza em seu rosto.
- Eu fiquei sabendo hoje pela manha. As noticias por aqui correm rapido.
- Eu fui visita-lo hoje. Falei com os pais dele e ele vai precisar fazer uma cirurgia. E mae... - minha voz falha - ele pode ficar paralitico. - começo a chorar e soluçar. A dor é enorme demais para ser contida. Minha mae chega mais proximo de mim e me da um abraço. Me assusto e paro de chorar.
- Vai ficar tudo bem. - ela diz com uma voz reconfortante. - Eu sei que vai da tudo certo. Nao chore. Onde esta a rebelde durona que voce sempre foi?
- Eu nao sei. Eu realmente nao sei. - ela me solta e eu olho em seus olhos castanhos como mel. Me sinto mais confiante agora. E eu nao sei porque.
- Voce pretende fazer o que agora,Laura?
- Agora eu vou tomar um banho e ir a um lugar. - sei que nao foi bem essa a pergunta que ela me fez,mas nao pretendo responde-la.
- Ah sim. - ela pega a vassoura e retoma o que estava fazendo. Acho que nossa conversa acabou por enquanto. Vou em direcao a casa novamente,mas ela me chama:
- Laura?
- Sim,mãe! - me viro para ela.
- Me mantenha informada sobre o estado dele?
- Pode deixar! - ja me viro novamente quando ela me chama de novo.
- Ah! E coma alguma coisa antes de sair e volte logo! - eu rio um pouco.
- Claro! - e agora vou para dentro.
Vejo uma coisa boa em tudo isso afinal;agora estou voltando a falar com a minha mae meamo que seja sobre uma coisa tao ruim quanto essa. E Gabriel ficará feliz em saber que ele ajudou em alguma coisa mesmo que dessa forma.
Eu me banho,e vou almoçar. Apesar de ter passado da hora,nao quero trocar uma refeicao por um lanche qualquer. Enquanto como nao deixo de pensar em como ele esta se sentindo. Se esta consciente,com muitas dores. Se lembra de mim. Meu peito doí e solto um longo suspiro. Olho pela janela e vejo que esta escuro. Parece que vai cair uma tempestade,mas nada me impedira de ir onde eu quero. Pego minha pequena bolsa de lado ainda com o biscoito dentro e um sombrinha. Resolvo vestir um cardigã cinza por cima da blusa que estou por causa do frio que ja estou começando a sentir.
A chuva começa assim que chego no ponto de onibus,mas para minha sorte o onibus nao demora mais do que dois minutos para passar. No caminho,meus medos me assombram em minha mente. Como vai ser se ele ficar mesmo paralítico? Ele que é tão vivo e que gosta de liberdade tanto quanto eu? E como vai ser para mim? Me imagino empurrando a sua cadeira de todas pela escola e todos os olhares de pena focados em nós. E eu vou ser agora não mais a garota anti social e sim a 'coitada namorada do garoto da cadeira de rodas'. Como eu vou suportar isso?! E eu me odeio por pensar assim. Nao posso abandona-lo agora. Que amiga,ou melhor,namorada eu seria se fizesse isso. Ele nunca me perdoaria.
Desço do onibus e ainda chove forte. Meu guarda chuva vermelho se destaca no meio de tanto cinza. Mesmo com ele alguma quantidade de chuva encontra seu caminho ate mim molhando minha calça. Vou pela trilha que esta uma lama só e me amaldiçou por ter vindo de rasteirinha. Esculto apenas o som da chuva e de meus pés em contato com o chão. Clac clac clac. Chego ate a minha arvore e agora que estou aqui nem sei o motivo de ter vindo.
Me lembro de Gabriel dizendo: "Porque você foge de qualquer coisa que você nao consegue controlar." E era verdade. Eu sempre fujo e sempre é para cá que eu venho. Encosto meu rosto no tronco da arvore úmido e percebo que a chuva acabou.
Fecho o gurada chuva e o engancho em um galho. Abro a bolsa e  procuro algo cortante e encontro uma lapiseira. A quebro e pego a lamina.
Com ela tento fazer nossos nomes no tronco bem fundo para que nao desapareça logo. Isso me faz lembrar do sonho que tive e começo a chorar. 'Nao,eu preciso ser forte por nos!',penso passando o braço no rosto para secar as lagrimas. Ele nao gostaria de me ver assim.
Pego meu celular e ainda sem nenhuma ligacao da mae de Gabriel. É muito angustiante ter que esperar uma noticia. Decido ir ao hospital.
Quando chego la,nao vejo os pais deles em nenhum lugar. Vou ate a bancada de informaçoes.
- Ola! Eu queria saber alguma coisa sobre o paciente Gabriel. Nao vejo os pais deles em nenhum lugar da sala de espera.
- Nome completo do paciente por favor. - digo e ela digita no computador. - Ele foi encaminhado para sala de cirurgia a pouco. Os pais dele devem estar perto de la.
- Onde fica a sala? - ela aponta para o outro lado da sala de espera. Para um corredor.
- No final daquele corredor vire a esquerda. É a ultima sala. Mas voce nao pode entrar la.
- Ta bom. So quero falar com os pais dele. Obrigada! - ela me da um sorriso frio e vira o rosto para o computador. Deve ser muito estressante trabalhar em um hospital.
Sigo as indicacoes,e perto do fim do corredor vejo os pais dele sentados em um banco abraçados conversando. De repente,me sinto uma intrusa.
- Boa noite! Como estao? - eles param a conversa e olham para mim. Eu sei a resposta,mas pergunto por educaçao.
- Bem,na medida do possivel. E voce?
- O mesmo. - suspiro antes de prosseguir me sentando ao lado da mae de Gabriel.
- Como ele esta?
-  Começaram a cirurgia a pouco. Muita sorte dele porque tem muitos pacientes esperando tambem. Eu ia te ligar agora,mas voce chegou. - meu coraçao acelera so de pensar que ele esta na sala no final deste corredor. Tao perto e tao longe.
- O que os medicos falaram sobre o caso dele? - nao quis perguntar diretamente se ele ia ficar paralitico.
- Disseram que ele esta instavel. Com algumas hemorragias internas que foram controladas. Mas ele... - ela olha para suas maos que tremem e fico tensa. - ... teve um compromentimento na coluna. Estao tentando o maximo na cirurgia,mas nao se sabe o que pode acontecer. - ela se vira e encosta o rosto no peito do marido. Tentando abafar o choro.
Esta quase confirmado que ele pode ficar paraplegico. Isso tudo parece um pesadelo terrivel. Me belisco com força no braço,mas continuo acordada. E eu terei que viver com isso. ' Ele é forte! Vai ficar tudo bem. Pode da certo!',eu penso tentando me agarrar a alguma esperança,mas parece uma coisa distante.
Olho fixamente para o chao desejando que fosse eu la dentro. Eu mau tenho um relacionamento instavel com minha mae,meu pai se foi,nao tem ninguem que precise de mim. Mas ele tem uma familia que o ama e que precisa dele. Ele tem que sobreviver. Ele tem que sair andando daqui.
As horas se passam e ninguem aparece.

[Eu Cinza] Capa da História

Estou tentando fazer algo descente como uma capa para minha história,e saiu isso! Se sintam a vontade para dar opinião e sugestões nos comentarios! :)

[Eu Cinza] Continuação do Capitulo 4 e Capitulo 5

As aulas finalmente acabam. E resolvo nao ir para casa. Minha mae irá interpretar como um gesto de que nao estou querendo cooperar,mas nao me importo com isso. Quero ficar sozinha mais a vez. Ir ao unico lugar que tenho para chamar de meu e que ainda assim nao o é. Espero na biblioteca se passar meia hora para que eu possa ir para o ponto de onibus. A essa hora Gabriel deve ter ido para casa. Em pensar que ele nao veio me procurar para irmos juntos. Penso que deve ter ido com Juliana e meu sangue ferve.
Ao chegar na trilha,olho para tras como se esperando a chegada de alguem. Aquele que nao virá. Comprei algum lanche no caminho ate a parada e vou me acomodar embaixo da minha arvore. Coloco a mochila no chao e repouso minha cabeça nela. Me sinto cansada e acabo pegando no sono.
Sinto algo raspar o meu nariz,abro os olhos de repente e vejo uma mao proxima ao meu rosto com algo balançando. Me afasto e vejo Gabriel. Ele estava passando um gravetinho no meu rosto. Ele esta sorrindo alegremente para mim como se nao tivesse me ignorado todo o dia.
- O que voce esta fazendo aqui? - digo irritada com ele
- Calma! Eu sabia que voce viria ate aqui. - ele olha para sua mao que  balança o gravetinho insistentemente nos dedos. - Eu sabia que se voce me visse ao lado de outra pessoa voce iria fugir. - ele me encara procurando alguma reaçao em meu rosto - Você sempre foge quando nao quer lidar com alguma coisa.
- Voce fez de propisito? Ficar com a Juliana para eu vir para cá? Por que? - digo intrigada porque realmente nao entendo. Ele me olha por varios segundos nao desviando seu olhar do meu. Ele se senta mais proximo a mim,na minha frente,e brinca com um cacho do meu cabelo.
- Sim,foi de proposito. Eu queria que voce viesse aqui para que eu pudesse... para que eu te dissesse... - ele se atrapalha com as palavras e eu advinho o que ele esta prestes a dizer. - Laura,você quer namorar comigo?
Eu coro quando ouço suas palavras. Ele olha para mim pedindo uma resposta. E eu nao sei o que dizer. Eu gosto dele,mas essas coisas sao tao embaraçosas para mim. Eu olho para o chao a procura de um graveto. Faço um desenho entre nós dois. Um coraçao. Ele pega seu proprio graveto e escreve nossos nomes nele. Nao consigo levantar a cabeça e olhar para ele. Mas eu nao preciso. Ele ergue meu queixo de leve com uma das suas maos,e seus olhos viajam ate os meus. Me levanto um pouco e o beijo. Me sinto leve,viajando em algo totalmente desconhecido. Toco seu peito com uma de minhas maos e sinto seu coraçao acelerado tanto quanto o meu. Ele me beija insiatentemente,e eu me pego suspirando entre labios. Ele para,segura meu rosto e diz:
- Eu te amo! E nao sei como nao pude ver isso antes.
- Eu tambem. - e eu nao poderia ser mais sincera ao dizer isso.
O chamei para subir na arvore. Sei lá porque,mas eu senti vontade e ele nao recusou. Sentamos em um galho nao muito alto. Ele me envolveu com cuidado com um de seus braços e aninhei minha cabeça em seu peito. Nunca me senti tao feliz na minha vida como nesse momento. Ele pega uma de minhas maos e faz circulos imaginarios na palma enquanto me pergunta varias coisas que nunca falamos antes. Sobre como foi nosso primeiro beijo (ele me disse que mordeu o labio da menina que ele beijou),sobre natureza,meu gosto por desenho,e ele me disse que sabe tocar violão coisa que nunca o vi fazer. O fiz prometer tocar algo aqui para mim qualquer dia,em troca ele quer ir ver os meus rabiscos na parede do meu quarto. Eu mencionei meio sem querer que tem nossos nomes lá. Quando o por do sol ja esta perto resolvemos ir embora. Aqui nao da para vê-lo por causa das arvores. Nao faria sentido ficar mais tempo. Entao seguimos na trilha de mãos dadas.
Quando chego em casa o portao esta trancado. Um bom sinal. Eu tenho uma copia da chave desde que resolvi sair por aí por conta propria. Na mesa,tem um lanche que deve ser para mim. Uma xicara com nescau e bolo. E mais um bilhete. Parece que agora essa é a maneira que minha mae arrumou para nao deixar de falar comigo de vez. O abro.
"Resolvi fazer para voce como um sinal de trégua entre nos. Voce ainda é minha filha e se quiser falar comigo estarei a disposicao. E eu sei que voce anda por ai com o Gabriel."
Eu rio,porque ela nunca falou comigo assim. Nunca perguntou sobre nenhum garoto que ja tenha passado pela minha vida. Para falar a verdade,eu nao lembro de nenhuma conversa agradavel entre nos. Resolvo que depois irei falar com ela por causa do que Gabi disse. Que eu devo mudar. Prometo a mim mesma tentar. Eu so tenho ela no mundo,e ela tambem so tem a mim.
Penso em ligar para Gabi,mas nao quero parecer tao apressada. Nos vimos a menos de duas horas. Mas acabo enviando um torpedo para ele.
"Parece que as coisas estao abrandando por aqui. Estava pensando de sairmos a noite o que acha?"
Olho para o celular ansiosa pela resposta. É a primeira vez que eu tomo a iniciativa de chamar alguem para sair mesmo que seja apenas Gabi que conheço de tanto tempo que ja parece ser de sempre. Passasse meia hora e começo a estranhar. Ele nunca demora a responder. Ate onde lembro ele nao se separa do seu celular por nada. É viciado naqueles joguinhos de corrida que so meninoa conseguem ver alguma graça. Tem algo de errado aí.
Tento agora ligar para ele. Chama ate que cai na caixa postal. Insisto mais algumas vezes e nenhuma resposta. Penso comigo, "Ele deve estar ocupado ou pode ter esquecido ele em casa. Coisas assim acontecem sempre." Entao,vou tomar um banho e tento afastar os maus pensamentos.
Quando volto verifico meu celular e nenhuma mensagem ou ligaçao. Fico realmente preocupada,e decido ir ate a casa dele. Quem sabe os pais dele me deem uma informacao. Pego um papel e escrevo um bilhete para minha mae.
"Fui ate a casa do Gabriel. Volto logo,e nao se preocupe."
Nao quero que ela fique preocupada agora que decidi manter as coisas calmas entre nos. A casa de Gabriel fica um pouco distante da minha e demoro cerca de vinte minutos para chegar ate la. Bato no portao algumas vezes e parece nao ter ninguem em casa. Vou ate a casa vizinha para tentar descobrir alguma coisa. Depois de duas batidas,o que parece ser uma mulher idosa pergunta de dentro da casa com a voz um tanto desconfiada.
- Quem é?
- So quero lhe perguntar uma coisa. Sou amiga do seu vizinho Gabriel. - falo. Ouço a porta sendo destrancada e uma senhora de meia idade aparece.
- O que quer saber,minha filha?
- Se tem alguem na casa do Gabriel.
- Você nao sabe o que aconteceu? - ela pergunta com uma voz tipica de pessoas mecheriqueiras. Se aproxima um pouco de mim antes de falar novamente. - Ele sofreu um acidente!

Capitulo 5
Entro em choque e sinto como se tivesse recebido um impacto de um caminhao em alta velocidade. Minhas maos suam frio e me dou conta de que estao tremendo tambem. A senhora percebe o meu estado e fala algo. Entendo apenas algumas palavras. Minha mente esta em outro lugar.
- Entre,querida! Parece que vai desmaiar! - ela segura meu braço e me puxa para dentro. Eu que deveria estar apoiando a senhora e nao o contrario. Me sinto dentro de uma piada ironica de mau gosto. Ela aponta para uma cadeira no terraço para que eu me sente e vai buscar um copo d'agua.
Me recuso a pensar em qualquer coisa ate que ela me diga o que aconteceu. Nao demora muito e ela volta,estendendo o copo para mim. O pego com as maos meio tremendo e falo um 'Obriagada' que nao tenho certeza que ela ouviu.
- Filha,nao tem ninguem em casa. Foram todos para o hospital. Eu estava varrendo a calçada quando os vi saindo. Pelo que me disseram ele sofreu um acidente de moto junto com um amigo. Um carro bateu neles quando ultrapassou um sinal. - ouvindo essas ultimas palavras nao deixo de pensar no pior. Ela olha para mim como se esperando que eu pergunte algo e eu o faço.
- O que aconteceu com ele? Foi grave? - pergunto ja nao reconhecendo minha propria voz que diminui a cada palavra. Nem percebo quando as lagrimas começam,mas as sinto descendo em meu rosto.
- Querida,mantenha a calma. Eu nao sei dizer. Eles sairam muito apressados e nao me disseram nada alem disso. Sinto muito! Ele era tao jovem! - ela fala como se ele estivesse morto e ate parece que deseja isso. Mas devo estar enganada, ela so é uma velha senhora que gosta de fofocas.
- A senhora sabe pelo menos me dizer em que hospital ele esta?
- No hospital principal do bairro vizinho. Mas voce vai ate la agora? A essa hora?
- E o que a senhora quer que eu faça? Espere por noticias em casa que nao sei quando vao chegar! Eu nao tenho condiçoes para isso! - falo com mais raiva do que deveria. Ela nao tem culpa de nada. - Me desculpe! Eu ja vou indo. Obrigada de qualquer forma. Ela me acompanha ate a calçada falando tantos 'Sinto muito' que quase desejo que fosse ela no lugar dele. Ela nao parece nem um pouco com pena ou qualquer outra coisa em relaçao a ele. Mas nao vou me rebaixar desejando o mau a ninguem. Ainda mais a uma senhora.
Sinto meus pés pesarem cada vez mais a cada passo. Me arrasto pelas ruas de volta para casa me sentindo uma defunta. Meu eu em cinzas. Eu nao penso em coisas do tipo 'Porque com ele?' ou 'Que vida injusta!'. Nao adiantaria porque nao mudaria nada. Parece apenas que uma parte de mim que agora era cor,uma mistura de todas elas que formavam algo novo. Algo so meu e dele. Uma mistura so nossa. E agora parece estar transparente. Nao,nao transparente,mas cinza. E eu nao sei o que vou fazer se o pior tiver acontecido.
Chego em casa e minha mae esta na cozinha preparando alguma coisa. Olho para a mesa e nao vejo o bilhete mais. Ela deve ter o lido. Nao quero encará-la agora se nao eu teria que falar a ela o que aconteceu e nao quero repartir isso com mais ninguem.
Entro no meu quarto e pego o meu celular para ver as horas. Sao exatamente 21:00 hrs. Nao tem como eu ir ao hospital hoje.
Em pensar que hoje mesmo ele me pediu em namoro. O momento que significou um recomeço na minha vida. E agora nao posso tê-lo comigo.
Imagino ele no hospital em uma UTI esperando pela minha chegada. Se ele estiver mesno vivo. Repito para mim mesma ' ele esta esta esta esta' ate que nao consigo mais distinguir o que estou dizendo.
Me jogo na cama. Quase imediatamente pego no sono e tenho um sonho. Vejo nós dois no futuro sentados no bosque um ao lado do outro. Ele esta bem e nao existe qualquer sinal de que algi aconteceu com ele.
Falamos de coisas que jamais teriamos coragem de confidenciar a alguem.
Contando segredos. Tirando todo o peso acumulado em anos.
Jogando fora toda a  vergonha de ser quem somos.Com um olhar carinhoso e gentil que nao precisa de palavras nossas mãos viajam pela grama atraidas como imãs. Indo imperceptivelmente ao encontro de ambas.
Se juntam,se colam.
Nossos rostos coram e um sorriso passa em nossos labios. E as palavras se vão.
Sinto o nervosismo de antecipaçao ao perceber o que estamos prestes a fazer nesse bosque,embaixo de uma arvore na qual nossos nomes estao gravados com a minha letra e voce ele nao sabe.
Vejo ele me puxar para perto em um movimento forte e gentil e estou sem fôlego.
Meus olhos encontram os dele e vejo meu reflexo assustado neles.
Mas seu rosto esta calmo,com um leve sorriso no canto dos labios. Eu rio tambem.
Agora ele se aproxima,nossos rostos a centimetros de se encontrarem. Sua mao pega de leve em meu rosto e eu sei que estou corando novamente. Em um momento de extase acabo com essa distancia tao pequena entre nós e juntos agora somos um so coraçao.
Acordo no meio da noite ainda com a sensaçao de seus labios nos meus. No escuro guio minha mao ate minha boca, fecho os olhos tentando conter minhas lagrimas. Elas descem descontroladas como pequenas nascentes serpenteando por minhas bochechas. Um som gutural escapal de mim e parece que uma fera quer se libertar do meu corpo. Tento abafar com as maos os meus soluços. Mas desisto e me entrego ao desespero. Parece que a vida me armou um conjunto de ciladas pelo caminho e ao trazer Gabriel para ele acabei o jogando em uma delas. Sei que deve ser loucura,mas me sinto culpada.
Acordo cedo depois de uma noite má durmida. E tambem porque quero sair sem que minha mae veja. Me arrumo e decido ir usando uma roupa que uma vez Gabriel disse que caia muito bem em mim. Uma blusa preta com uma das mangas decidas com uma estampa de caveira e o meu short jeans esfarrapado. Me sinto errada assim, levando um simbolo da morte comigo para o hospital, mas vou assim por ele.
Faço meu proprio cafe. Tomo apressada e pego um biscoito e coloco dentro da bolsa para caso eu va demorar muito. Deixo um bilhete para minha mae dizendo que tive que ir maia cedo a escola hoje por conta de um trabalho. Nao gosto de mentir, mas as vezes é necessario.
Assim que sento em uma cadeira no onibus meu coraçao afunda. Eu nao sei como descrever muito bem o que sinto agora,mas é como a sensacao de estar prestes a apresentar um trabalho sozinho para a turma inteira na escola. Aquela dor no peito,seguida de aceleraçao e um mau estar geral. Multiplique por dez e quem sabe voce tera uma nocao de como estou.
Chego no hospital,e me sinto paralisada. Eu nunca vi visitar alguem aqui. Nao me lembro nem ao menos de eu mesma ter sido trazida para ca. Me sinto estranha e deslocada,mas me obrigo a andar ate a bancada onde dao informacoes.
- Bom dia! Eu gostaria de saber se posso visitar um paciente que deu entrada aqui ontem por causa de um acidente. O nome dele é Gabriel Sousa Carvalho. - a mulher pede para que eu espere enquanto ela checa informacoes no computador a sua frente.
- Temos um paciente com esse nome aqui. Mas ele so pode receber visitas dos familiares. Restricoes medicas. - ela fala de um modo meio ensaiado que me lembra algo como um robô.
- Mas eu sou a namorada dele! Eu preciso muito vê-lo! - falo implorando com uma voz suave para tentar convence-la.
- Desculpe,querida! So obedeço ordens. Voce pode procurar peloa familiares dele ali. - ela aponta para um lugar um pouco afastado onde tem varias cadeiras proximas umas as outras todas ocupadas.
- Ok. Obrigada! - dou um sorriso educado e vou em direcao a ala de espera.
Andar pelo hospital é algo muito estranho para mim. Nao me sinto a vontade no meio de tantas pessoas que sem ter maia o que fazer do que esperar olham para tudo e todos que veem. Logo a visto os pais de Gabriel que estao de costas para mim sentados mais para o canto da aglomeraçao de cadeiras. Eles nao me veem chegar e eu falo:
- Oi,dona Julia! - ela olha para mim junto com seu marido. Olho para ele e meneio com a cabeça em sua direçao e ele me retribui com um sorriso murcho. Eles parecem muito abatidos. E nao é para menos. Fico em pe ao lado da mae de Gabi ja que nao a mais cadeiras disponiveis.
- Oi,Laura! Entao voce ja ficou sabendo?
- Sim,eu fui ate a sua casa ontem a noite e uma vizinha me contou o que aconteceu. - sinto um nó na garganta e continuo. - Como ele esta?
- Nao muito bem. No acidente, ele acabou fraturando uma das pernas e um dos braços, e a bacia. - ela começa a chorar e tenta enxugar as lagrimas. Mas elas sao muito insistentes. - Nos o vimos apenas ontem assim que chegamos. Agora ele esta na UTI esperando para ir para a sala de cirurgias.
Eu tento assimilar o que ela acabou de falar. Ele esta vivo afinal. Mas o caso parece ser muito grave. Ja ouvi falar o que pode acontecer nesses casos. Ele pode ficar paralitico. Lagrimas invadem meu rosto sem permissao.
- É muito grave? - falo.
- Sim. O medico nos disse que ele pode ter tido algum comprometimento da coluna no impacto. O choque foi bem na traseira da moto onde ele estava. Ele pode ficar paralitico. - ela olha para o chao e depois para o marido que a puxa para um abraço. Pelo menos,ela tem quem a reconforte um pouco.
Eu olho para o outro lado da sala e vejo todos os tipos de paciente imaginaveis em macas,no chao,esperando por atendimento. O cheiro de sangue é forte e me sinto um pouco tonta.
- Dona Julia? - ela olha para mim com seus olhos inchados e vermelhos. - Nao estou me sentindo muito bem e como nao posso vê-lo, estou indo para casa. - abro minha bolsa e pego um papel e caneta e escrevo meu telefone e o dou para ela. - Me ligue quando ele for para a sala de cirurgia? Quero estar aqui nessa hora. - ela pega o papel e o dobra.
- Claro,querida! Ele tem sorte de ter uma amiga como voce! - eu rio um pouco. Ele nem teve tempo de falar sobre nosso namoro para sua familia.
- Ate mais!
Me viro em direcao a saida sem saber para onde vou agora.

[Eu Cinza] Continuação do Capitulo 4 e Capitulo 5

As aulas finalmente acabam. E resolvo nao ir para casa. Minha mae irá interpretar como um gesto de que nao estou querendo cooperar,mas nao me importo com isso. Quero ficar sozinha mais a vez. Ir ao unico lugar que tenho para chamar de meu e que ainda assim nao o é. Espero na biblioteca se passar meia hora para que eu possa ir para o ponto de onibus. A essa hora Gabriel deve ter ido para casa. Em pensar que ele nao veio me procurar para irmos juntos. Penso que deve ter ido com Juliana e meu sangue ferve.
Ao chegar na trilha,olho para tras como se esperando a chegada de alguem. Aquele que nao virá. Comprei algum lanche no caminho ate a parada e vou me acomodar embaixo da minha arvore. Coloco a mochila no chao e repouso minha cabeça nela. Me sinto cansada e acabo pegando no sono.
Sinto algo raspar o meu nariz,abro os olhos de repente e vejo uma mao proxima ao meu rosto com algo balançando. Me afasto e vejo Gabriel. Ele estava passando um gravetinho no meu rosto. Ele esta sorrindo alegremente para mim como se nao tivesse me ignorado todo o dia.
- O que voce esta fazendo aqui? - digo irritada com ele
- Calma! Eu sabia que voce viria ate aqui. - ele olha para sua mao que  balança o gravetinho insistentemente nos dedos. - Eu sabia que se voce me visse ao lado de outra pessoa voce iria fugir. - ele me encara procurando alguma reaçao em meu rosto - Você sempre foge quando nao quer lidar com alguma coisa.
- Voce fez de propisito? Ficar com a Juliana para eu vir para cá? Por que? - digo intrigada porque realmente nao entendo. Ele me olha por varios segundos nao desviando seu olhar do meu. Ele se senta mais proximo a mim,na minha frente,e brinca com um cacho do meu cabelo.
- Sim,foi de proposito. Eu queria que voce viesse aqui para que eu pudesse... para que eu te dissesse... - ele se atrapalha com as palavras e eu advinho o que ele esta prestes a dizer. - Laura,você quer namorar comigo?
Eu coro quando ouço suas palavras. Ele olha para mim pedindo uma resposta. E eu nao sei o que dizer. Eu gosto dele,mas essas coisas sao tao embaraçosas para mim. Eu olho para o chao a procura de um graveto. Faço um desenho entre nós dois. Um coraçao. Ele pega seu proprio graveto e escreve nossos nomes nele. Nao consigo levantar a cabeça e olhar para ele. Mas eu nao preciso. Ele ergue meu queixo de leve com uma das suas maos,e seus olhos viajam ate os meus. Me levanto um pouco e o beijo. Me sinto leve,viajando em algo totalmente desconhecido. Toco seu peito com uma de minhas maos e sinto seu coraçao acelerado tanto quanto o meu. Ele me beija insiatentemente,e eu me pego suspirando entre labios. Ele para,segura meu rosto e diz:
- Eu te amo! E nao sei como nao pude ver isso antes.
- Eu tambem. - e eu nao poderia ser mais sincera ao dizer isso.
O chamei para subir na arvore. Sei lá porque,mas eu senti vontade e ele nao recusou. Sentamos em um galho nao muito alto. Ele me envolveu com cuidado com um de seus braços e aninhei minha cabeça em seu peito. Nunca me senti tao feliz na minha vida como nesse momento. Ele pega uma de minhas maos e faz circulos imaginarios na palma enquanto me pergunta varias coisas que nunca falamos antes. Sobre como foi nosso primeiro beijo (ele me disse que mordeu o labio da menina que ele beijou),sobre natureza,meu gosto por desenho,e ele me disse que sabe tocar violão coisa que nunca o vi fazer. O fiz prometer tocar algo aqui para mim qualquer dia,em troca ele quer ir ver os meus rabiscos na parede do meu quarto. Eu mencionei meio sem querer que tem nossos nomes lá. Quando o por do sol ja esta perto resolvemos ir embora. Aqui nao da para vê-lo por causa das arvores. Nao faria sentido ficar mais tempo. Entao seguimos na trilha de mãos dadas.
Quando chego em casa o portao esta trancado. Um bom sinal. Eu tenho uma copia da chave desde que resolvi sair por aí por conta propria. Na mesa,tem um lanche que deve ser para mim. Uma xicara com nescau e bolo. E mais um bilhete. Parece que agora essa é a maneira que minha mae arrumou para nao deixar de falar comigo de vez. O abro.
"Resolvi fazer para voce como um sinal de trégua entre nos. Voce ainda é minha filha e se quiser falar comigo estarei a disposicao. E eu sei que voce anda por ai com o Gabriel."
Eu rio,porque ela nunca falou comigo assim. Nunca perguntou sobre nenhum garoto que ja tenha passado pela minha vida. Para falar a verdade,eu nao lembro de nenhuma conversa agradavel entre nos. Resolvo que depois irei falar com ela por causa do que Gabi disse. Que eu devo mudar. Prometo a mim mesma tentar. Eu so tenho ela no mundo,e ela tambem so tem a mim.
Penso em ligar para Gabi,mas nao quero parecer tao apressada. Nos vimos a menos de duas horas. Mas acabo enviando um torpedo para ele.
"Parece que as coisas estao abrandando por aqui. Estava pensando de sairmos a noite o que acha?"
Olho para o celular ansiosa pela resposta. É a primeira vez que eu tomo a iniciativa de chamar alguem para sair mesmo que seja apenas Gabi que conheço de tanto tempo que ja parece ser de sempre. Passasse meia hora e começo a estranhar. Ele nunca demora a responder. Ate onde lembro ele nao se separa do seu celular por nada. É viciado naqueles joguinhos de corrida que so meninoa conseguem ver alguma graça. Tem algo de errado aí.
Tento agora ligar para ele. Chama ate que cai na caixa postal. Insisto mais algumas vezes e nenhuma resposta. Penso comigo, "Ele deve estar ocupado ou pode ter esquecido ele em casa. Coisas assim acontecem sempre." Entao,vou tomar um banho e tento afastar os maus pensamentos.
Quando volto verifico meu celular e nenhuma mensagem ou ligaçao. Fico realmente preocupada,e decido ir ate a casa dele. Quem sabe os pais dele me deem uma informacao. Pego um papel e escrevo um bilhete para minha mae.
"Fui ate a casa do Gabriel. Volto logo,e nao se preocupe."
Nao quero que ela fique preocupada agora que decidi manter as coisas calmas entre nos. A casa de Gabriel fica um pouco distante da minha e demoro cerca de vinte minutos para chegar ate la. Bato no portao algumas vezes e parece nao ter ninguem em casa. Vou ate a casa vizinha para tentar descobrir alguma coisa. Depois de duas batidas,o que parece ser uma mulher idosa pergunta de dentro da casa com a voz um tanto desconfiada.
- Quem é?
- So quero lhe perguntar uma coisa. Sou amiga do seu vizinho Gabriel. - falo. Ouço a porta sendo destrancada e uma senhora de meia idade aparece.
- O que quer saber,minha filha?
- Se tem alguem na casa do Gabriel.
- Você nao sabe o que aconteceu? - ela pergunta com uma voz tipica de pessoas mecheriqueiras. Se aproxima um pouco de mim antes de falar novamente. - Ele sofreu um acidente!

Capitulo 5
Entro em choque e sinto como se tivesse recebido um impacto de um caminhao em alta velocidade. Minhas maos suam frio e me dou conta de que estao tremendo tambem. A senhora percebe o meu estado e fala algo. Entendo apenas algumas palavras. Minha mente esta em outro lugar.
- Entre,querida! Parece que vai desmaiar! - ela segura meu braço e me puxa para dentro. Eu que deveria estar apoiando a senhora e nao o contrario. Me sinto dentro de uma piada ironica de mau gosto. Ela aponta para uma cadeira no terraço para que eu me sente e vai buscar um copo d'agua.
Me recuso a pensar em qualquer coisa ate que ela me diga o que aconteceu. Nao demora muito e ela volta,estendendo o copo para mim. O pego com as maos meio tremendo e falo um 'Obriagada' que nao tenho certeza que ela ouviu.
- Filha,nao tem ninguem em casa. Foram todos para o hospital. Eu estava varrendo a calçada quando os vi saindo. Pelo que me disseram ele sofreu um acidente de moto junto com um amigo. Um carro bateu neles quando ultrapassou um sinal. - ouvindo essas ultimas palavras nao deixo de pensar no pior. Ela olha para mim como se esperando que eu pergunte algo e eu o faço.
- O que aconteceu com ele? Foi grave? - pergunto ja nao reconhecendo minha propria voz que diminui a cada palavra. Nem percebo quando as lagrimas começam,mas as sinto descendo em meu rosto.
- Querida,mantenha a calma. Eu nao sei dizer. Eles sairam muito apressados e nao me disseram nada alem disso. Sinto muito! Ele era tao jovem! - ela fala como se ele estivesse morto e ate parece que deseja isso. Mas devo estar enganada, ela so é uma velha senhora que gosta de fofocas.
- A senhora sabe pelo menos me dizer em que hospital ele esta?
- No hospital principal do bairro vizinho. Mas voce vai ate la agora? A essa hora?
- E o que a senhora quer que eu faça? Espere por noticias em casa que nao sei quando vao chegar! Eu nao tenho condiçoes para isso! - falo com mais raiva do que deveria. Ela nao tem culpa de nada. - Me desculpe! Eu ja vou indo. Obrigada de qualquer forma. Ela me acompanha ate a calçada falando tantos 'Sinto muito' que quase desejo que fosse ela no lugar dele. Ela nao parece nem um pouco com pena ou qualquer outra coisa em relaçao a ele. Mas nao vou me rebaixar desejando o mau a ninguem. Ainda mais a uma senhora.
Sinto meus pés pesarem cada vez mais a cada passo. Me arrasto pelas ruas de volta para casa me sentindo uma defunta. Meu eu em cinzas. Eu nao penso em coisas do tipo 'Porque com ele?' ou 'Que vida injusta!'. Nao adiantaria porque nao mudaria nada. Parece apenas que uma parte de mim que agora era cor,uma mistura de todas elas que formavam algo novo. Algo so meu e dele. Uma mistura so nossa. E agora parece estar transparente. Nao,nao transparente,mas cinza. E eu nao sei o que vou fazer se o pior tiver acontecido.
Chego em casa e minha mae esta na cozinha preparando alguma coisa. Olho para a mesa e nao vejo o bilhete mais. Ela deve ter o lido. Nao quero encará-la agora se nao eu teria que falar a ela o que aconteceu e nao quero repartir isso com mais ninguem.
Entro no meu quarto e pego o meu celular para ver as horas. Sao exatamente 21:00 hrs. Nao tem como eu ir ao hospital hoje.
Em pensar que hoje mesmo ele me pediu em namoro. O momento que significou um recomeço na minha vida. E agora nao posso tê-lo comigo.
Imagino ele no hospital em uma UTI esperando pela minha chegada. Se ele estiver mesno vivo. Repito para mim mesma ' ele esta esta esta esta' ate que nao consigo mais distinguir o que estou dizendo.
Me jogo na cama. Quase imediatamente pego no sono e tenho um sonho. Vejo nós dois no futuro sentados no bosque um ao lado do outro. Ele esta bem e nao existe qualquer sinal de que algi aconteceu com ele.
Falamos de coisas que jamais teriamos coragem de confidenciar a alguem.
Contando segredos. Tirando todo o peso acumulado em anos.
Jogando fora toda a  vergonha de ser quem somos.Com um olhar carinhoso e gentil que nao precisa de palavras nossas mãos viajam pela grama atraidas como imãs. Indo imperceptivelmente ao encontro de ambas.
Se juntam,se colam.
Nossos rostos coram e um sorriso passa em nossos labios. E as palavras se vão.
Sinto o nervosismo de antecipaçao ao perceber o que estamos prestes a fazer nesse bosque,embaixo de uma arvore na qual nossos nomes estao gravados com a minha letra e voce ele nao sabe.
Vejo ele me puxar para perto em um movimento forte e gentil e estou sem fôlego.
Meus olhos encontram os dele e vejo meu reflexo assustado neles.
Mas seu rosto esta calmo,com um leve sorriso no canto dos labios. Eu rio tambem.
Agora ele se aproxima,nossos rostos a centimetros de se encontrarem. Sua mao pega de leve em meu rosto e eu sei que estou corando novamente. Em um momento de extase acabo com essa distancia tao pequena entre nós e juntos agora somos um so coraçao.
Acordo no meio da noite ainda com a sensaçao de seus labios nos meus. No escuro guio minha mao ate minha boca, fecho os olhos tentando conter minhas lagrimas. Elas descem descontroladas como pequenas nascentes serpenteando por minhas bochechas. Um som gutural escapal de mim e parece que uma fera quer se libertar do meu corpo. Tento abafar com as maos os meus soluços. Mas desisto e me entrego ao desespero. Parece que a vida me armou um conjunto de ciladas pelo caminho e ao trazer Gabriel para ele acabei o jogando em uma delas. Sei que deve ser loucura,mas me sinto culpada.
Acordo cedo depois de uma noite má durmida. E tambem porque quero sair sem que minha mae veja. Me arrumo e decido ir usando uma roupa que uma vez Gabriel disse que caia muito bem em mim. Uma blusa preta com uma das mangas decidas com uma estampa de caveira e o meu short jeans esfarrapado. Me sinto errada assim, levando um simbolo da morte comigo para o hospital, mas vou assim por ele.
Faço meu proprio cafe. Tomo apressada e pego um biscoito e coloco dentro da bolsa para caso eu va demorar muito. Deixo um bilhete para minha mae dizendo que tive que ir maia cedo a escola hoje por conta de um trabalho. Nao gosto de mentir, mas as vezes é necessario.
Assim que sento em uma cadeira no onibus meu coraçao afunda. Eu nao sei como descrever muito bem o que sinto agora,mas é como a sensacao de estar prestes a apresentar um trabalho sozinho para a turma inteira na escola. Aquela dor no peito,seguida de aceleraçao e um mau estar geral. Multiplique por dez e quem sabe voce tera uma nocao de como estou.
Chego no hospital,e me sinto paralisada. Eu nunca vi visitar alguem aqui. Nao me lembro nem ao menos de eu mesma ter sido trazida para ca. Me sinto estranha e deslocada,mas me obrigo a andar ate a bancada onde dao informacoes.
- Bom dia! Eu gostaria de saber se posso visitar um paciente que deu entrada aqui ontem por causa de um acidente. O nome dele é Gabriel Sousa Carvalho. - a mulher pede para que eu espere enquanto ela checa informacoes no computador a sua frente.
- Temos um paciente com esse nome aqui. Mas ele so pode receber visitas dos familiares. Restricoes medicas. - ela fala de um modo meio ensaiado que me lembra algo como um robô.
- Mas eu sou a namorada dele! Eu preciso muito vê-lo! - falo implorando com uma voz suave para tentar convence-la.
- Desculpe,querida! So obedeço ordens. Voce pode procurar peloa familiares dele ali. - ela aponta para um lugar um pouco afastado onde tem varias cadeiras proximas umas as outras todas ocupadas.
- Ok. Obrigada! - dou um sorriso educado e vou em direcao a ala de espera.
Andar pelo hospital é algo muito estranho para mim. Nao me sinto a vontade no meio de tantas pessoas que sem ter maia o que fazer do que esperar olham para tudo e todos que veem. Logo a visto os pais de Gabriel que estao de costas para mim sentados mais para o canto da aglomeraçao de cadeiras. Eles nao me veem chegar e eu falo:
- Oi,dona Julia! - ela olha para mim junto com seu marido. Olho para ele e meneio com a cabeça em sua direçao e ele me retribui com um sorriso murcho. Eles parecem muito abatidos. E nao é para menos. Fico em pe ao lado da mae de Gabi ja que nao a mais cadeiras disponiveis.
- Oi,Laura! Entao voce ja ficou sabendo?
- Sim,eu fui ate a sua casa ontem a noite e uma vizinha me contou o que aconteceu. - sinto um nó na garganta e continuo. - Como ele esta?
- Nao muito bem. No acidente, ele acabou fraturando uma das pernas e um dos braços, e a bacia. - ela começa a chorar e tenta enxugar as lagrimas. Mas elas sao muito insistentes. - Nos o vimos apenas ontem assim que chegamos. Agora ele esta na UTI esperando para ir para a sala de cirurgias.
Eu tento assimilar o que ela acabou de falar. Ele esta vivo afinal. Mas o caso parece ser muito grave. Ja ouvi falar o que pode acontecer nesses casos. Ele pode ficar paralitico. Lagrimas invadem meu rosto sem permissao.
- É muito grave? - falo.
- Sim. O medico nos disse que ele pode ter tido algum comprometimento da coluna no impacto. O choque foi bem na traseira da moto onde ele estava. Ele pode ficar paralitico. - ela olha para o chao e depois para o marido que a puxa para um abraço. Pelo menos,ela tem quem a reconforte um pouco.
Eu olho para o outro lado da sala e vejo todos os tipos de paciente imaginaveis em macas,no chao,esperando por atendimento. O cheiro de sangue é forte e me sinto um pouco tonta.
- Dona Julia? - ela olha para mim com seus olhos inchados e vermelhos. - Nao estou me sentindo muito bem e como nao posso vê-lo, estou indo para casa. - abro minha bolsa e pego um papel e caneta e escrevo meu telefone e o dou para ela. - Me ligue quando ele for para a sala de cirurgia? Quero estar aqui nessa hora. - ela pega o papel e o dobra.
- Claro,querida! Ele tem sorte de ter uma amiga como voce! - eu rio um pouco. Ele nem teve tempo de falar sobre nosso namoro para sua familia.
- Ate mais!
Me viro em direcao a saida sem saber para onde vou agora.